O Eremita e a Solidão Criadora
"Aquele que não pode encontrar a paz em si mesmo não a encontrará em mais lado nenhum." — Marie-Louise von Franz
Há um momento inevitável na vida em que o ruído do mundo deve cessar para que a voz interior possa ser ouvida em todo o seu esplendor. Esse momento de pausa, retiro e ligação profunda é encarnado de maneira magistral por O Eremita (Arcano IX).
Assim Falou Zaratustra
Friedrich Nietzsche, na sua obra-prima, fala-nos do profeta que desce da montanha após dez longos anos de solidão. Tal como o Eremita do Tarot, Zaratustra leva a sua própria luz iluminando as trevas do conhecimento humano: a luz inabalável da experiência própria, ganha através da introspeção, não a emprestada pelas vozes de outros.
A Caverna Interior
Do ponto de vista da psicologia profunda, a solidão não é um isolamento melancólico; é uma crisálida, um período sagrado de incubação. O psicólogo Carl Jung descrevia estes momentos como descidas necessárias ao inconsciente, onde alguém se enfrenta a si mesmo para emergir renovado. Se esta carta te saiu hoje, é o sinal cósmico de que deves deter a tua busca externa e deixar de pedir conselhos fora. A lanterna já está firmemente segura na tua mão, iluminando a caverna do teu próprio ser.
Referências Bibliográficas
- Nietzsche, F. (1883). Assim Falou Zaratustra. (Sobre a vontade, a elevação espiritual e a sabedoria gerada na solidão).
- Von Franz, M.-L. (1980). O Caminho da Individuação nos Contos de Fadas. (Para compreender a viagem arquetípica em direção ao centro do próprio ser).
Se a luz do teu candeeiro vacila na escuridão, deixa que as cartas te mostrem o próximo passo da tua viagem interior.