O Amor Alquímico: O Banquete de Platão
"O encontro de duas personalidades é como o contacto de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas se transformam." — Carl G. Jung
Quando o majestoso arcano de Os Enamorados (Arcano VI) se desvela sobre o tapete de leitura, a inquietude imediata costuma orbitar em torno do casal sentimental; no entanto, o seu profundo pano de fundo esotérico transcende o romance terreno para nos falar da magna escolha da alma e da sagrada e complexa coniunctio oppositorum ou união dos opostos.
O Mito do Andrógino
Nas páginas imortais de O Banquete de Platão, o dramaturgo Aristófanes narra-nos o poético mito de que, nos primórdios do tempo, os seres humanos éramos entidades esféricas e duplas, portadoras de uma plenitude desafiante que os deuses zelosos decidiram cindir ao meio. Desde aquele exílio primordial, vagamos infatigavelmente pelos labirintos do mundo ansiando reencontrar-nos com a nossa mítica "outra metade". Na linguagem simbólica do Tarot, Os Enamorados encarnam, de maneira sublime, esse nostálgico anseio de unidade indivisível, ao mesmo tempo que nos confrontam com a tensão inevitável da escolha moral: o convite ineludível a escolher o caminho ditado pela sabedoria do coração, elevando-nos acima do mero impulso do instinto cego.
A Boda Química
No recôndito e místico espaço do blog de La Bruja, sustentamos com devoção que o amor verdadeiro, na sua expressão mais elevada, é uma alquimia transcendental, a ansiada "Boda Química" dos antigos adeptos. Não é um simples encontro casual, mas a amálgama ardente de duas almas soberanas que consentem, no cadinho da entrega, submeter-se a uma mútua e profunda transformação. O aparecimento desta carta é um lembrete luminoso de que não empreendes a busca de outro ser para preencher um vazio existencial, mas para que, como espelhos divinos, ambos reflitam e potenciem a luz intrínseca que já resplandece no santuário do teu ser.
Referências Bibliográficas
- Platão. (c. 385–370 a.C.). O Banquete. (Especificamente o discurso de Aristófanes sobre a natureza dividida do ser humano e a busca da integridade).
- Jung, C. G. (1946). A Psicologia da Transferência. (Aborda o simbolismo alquímico da coniunctio e o poder transformador da união íntima entre duas almas).
Sentes que o destino te está a pedir que tomes uma decisão transcendental nascida do coração? O oráculo ilumina as tuas escolhas.